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Como... estruturar seu artigo

Seções do Artigo

  1. Qual é o propósito do trabalho?
  2. Maneiras de se organizar um trabalho
  3. O corpo do texto
  4. Como escrever a conclusão

Qual é o propósito do seu trabalho?

"We wish to suggest a structure for the salt of deoxyribose nucleic acic (DNA). This structure has novel features which are of considerable biological interest."
(Francis Crick and James Watson,
introduzindo seu artigo seminal sobre a hélice dupla publicado na revista Nature em 1953)

Uma das falhas mais comuns dos trabalhos de pesquisa é não transmitir um senso de propósito e esclarecer como as fronteiras do conhecimento foram ampliadas. A coisa mais importante que um escritor pode fazer ao pensar em escrever um artigo é redigir uma declaração de propósito, respondendo às seguintes perguntas:

  • Qual é a importância do trabalho?
  • Por que ele é importante e original?
  • Quem se interessará, qual é o público-alvo?
  • O que vem depois: quais são as implicações para a prática, que outras questões devem ser consideradas para a pesquisa?

A declaração de propósito deve aparecer no início do artigo, mas também deve constituir um elemento central da composição do trabalho. Ela o ajudará a desenvolver a estrutura do artigo e servirá de base para auxiliá-lo na tarefa de introduzir fatos importantes e descartar outros. Todos os pontos subsequentes do artigo devem estar relacionados ao desenvolvimento dessa declaração de propósito.

Exemplos de declarações de propósito

The aim of this paper is to develop a holistic model of customer retention, with specific emphasis on the repurchase intentions dimension, incorporating service quality and price perceptions, customer indifference and inertia. The holistic approach in the study reported here is distinct from most past studies on this topic that focussed on a single determinant of customer retention, namely service characteristics. The hypothesized relationships are tested using data from a large-scale survey of the telecommunication industry.
(Chatura Ranaweera and Andy Neely,"Some moderating effects on the service quality-customer retention link", International Journal of Operations & Production Management, Vol. 23 No. 2)

Are most leadership behaviours universal? Or, are there exceptions across country and corporate cultures? This study aims to answer these important questions. Our aim is to highlight any generalizability concerns that may arise due to American-centric researchers and their leadership theories. By taking a global perspective, researchers and managers can be more confident with their understanding of what leadership means and how leadership works in various national settings.
(Karen Boehnke, Nick Bontis, Joseph J. DiStefano and Andrea C. DiStefano, "Transformational leadership: an examination of cross-national differences and similarities", Leadership and Organizational Development Journal, Vol. 24 No. 1)

In this paper, we will critically reflect on the assumptions and assertions of the human resource-based view of the firm. The human resource-based view of the firm is limited in its unambiguous, instrumental, and rationalistic conceptualization of the relationships between the HRM practices, the HR outcomes in terms of knowledge, skills and commitment, and the success of the organization. Our critique is directed towards the utilitarian and formal/technical assumptions of this view, since it reduces human beings to "human resources". In our opinion, this view represents the "standard system-control frame of reference of much management thinking" (Watson, 2002, p. 375). We argue that such a conceptual model does not do justice to the complexity of human beings and their functioning in organizational processes. In particular, the approach neglects the ambiguities, irrationalities, and emotions that characterize the usual practice in organizational change (Carr, 2001; Downing, 1997).

The purpose of this article is to sketch the outlines of a more differentiated approach towards the contribution HRM can make to organizational change, an approach which corresponds to a process-relational perspective, and one which "acknowledges the pluralistic, messy, ambiguous and inevitably conflict-ridden nature of work organizations" (Watson, 2002, p. 375). Such a conceptual model pays more attention to both the rational and instrumental considerations and the emotional needs and desires that influence processes of organizational change. We base our approach on the core elements of the relational theory of emotions (Burkitt, 1997). This view helps us in understanding the complex functioning of human beings in the processes of organizational change (see, for example, Albrow, 1992; Ashforth and Humphrey, 1995; Downing, 1997; Duncombe and Marsden, 1996; Fineman, 2000; Pedersen, 2000 ). According to the relational theory of emotions, the actions and intentions of a person do not only stem from their rationality, but they are always and inextricably bound up with the emotions he or she has. Furthermore, emotions are viewed as being both individual characteristics and features of the power-based relationships between people involved in organizational change. In particular, we will focus on emotions as elements of implicit, so-called "hegemonic", power processes, which function as subroutines in the daily practices of organizations. Hegemonic power processes may induce the organizational members to consent to prevalent organizational views and to accept their insertion into organizational practices, despite the possible disadvantages these practices might pose for them (Benschop and Doorewaard, 1998; Doorewaard and Brouns, 2003).
(Hans Doorewaard and Yvonne Benschop, "HRM and organizational change: an emotional endeavour", Journal of Organizational Change Management, Vol. 16 No. 3)

Declarações de propósito e declarações de tese

Às vezes, o seu interesse em escrever um artigo pode ser o de desenvolver uma tese específica. Nesse caso, sua declaração de propósito será mais uma “declaração de tese” – que não declara apenas o âmbito da obra, mas também estabelece um argumento.

Apresentamos, abaixo, um exemplo de uma “declaração de tese” extraída de um artigo sobre a sobrevivência de empresas de alta tecnologia, expressa de forma sucinta e um tanto jornalística.

Exemplo de uma declaração de tese

Our premise: only high-tech companies that align their business models with the hypercompetitive future – one in which horizontal, not vertical, business models offer strategic advantage – will succeed. Those that don't will falter.
(Vivek Kapur, John Peters and Saul Berman, "High-tech 2005: the horizontal, hypercompetitive future", Strategy & Leadership, Vol. 31 No. 2)

Uma declaração de tese deve ser precisa e suficientemente focada para que todos os pontos relacionados sejam considerados no artigo. Como observado para a declaração de propósito, ela deve ser mantida em vista ao longo de todo o processo de desenvolvimento do trabalho e pode muito bem mudar à medida que o artigo for sendo redigido.

Em muitos casos, uma série de declarações hipotéticas será desenvolvida, possivelmente em função da revisão bibliográfica.

O Centro de Redação da Universidade de Wisconsin-Maddison oferece apostilas úteis sobre declarações de tese:

Embora tenham sido desenvolvidos para alunos de graduação, esses manuais são bastante claros.

A introdução

A declaração de propósito aparece na introdução: o que mais a introdução deve conter? O propósito da introdução não consiste apenas em definir os principais objetivos do trabalho, mas também em fornecer o contexto: por que o tema é importante e de que maneira contribui para o corpo de conhecimento, quais são os antecedentes da pesquisa, qual será a estrutura do documento, o que o levou a pesquisar esse tema/redigir o artigo?

Veja os artigos abaixo e como apresentam suas introduções e fornecem um contexto para a declaração de propósito.

Exemplos de introduções

In "HRM and organizational change: an emotional endeavour" (Hans Doorewaard and Yvonne Benschop, Journal of Organizational Change Management, Vol. 16 No. 3), the authors preface their purpose statement with a paragraph about the importance of the human-resource based view of the firm for the organization as a whole and for the field of organizational change.

Victor H. Vroom, in "Educating managers for decision making and leadership" (Management Decision, Vol. 41 No. 10), provides a particularly strong example of an article which states why the research was important to him, starting with an account of how he became interested in follower behaviour and participation as a graduate student.

"Children's visual memory of packaging" (James U. McNeal and F.Ji Mindy, Journal of Consumer Marketing, Vol. 20 No. 3) starts by reminding us how biassed consumer research is to the verbal rather than the visual, as a jumping off point for his own research.

"On the use of 'borrowed' scales in cross-national research" (Susan P. Douglas and Edwin J. Nijssen, International Marketing Review, Vol. 20 No. 6) considers the use of a research tool, and starts by describing the interest that there has been in cross-national and multi-country research, as a preface to describing the ways in which constructs and scales are transported without due consideration of equivalence.

Clyde A. Warden et al., in "Service failures away from home: benefits in intercultural service encounters" (International Journal of Service Industry Management, Vol. 14 No. 4), provide a novel way of setting the context by quoting a service encounter from Jules Verne's Around the World in 80 Days.

De que tamanho deve ser a introdução?

As opiniões em torno dessa questão variam – alguns afirmam que ela deve conter de 500 a 700 palavras, enquanto outros, duas páginas. De um modo geral, a introdução deve ser longa o suficiente para desenvolver a declaração de propósito e definir o histórico do tema, mas não deve exceder limites razoáveis ou ser desproporcional ao restante do trabalho.

Quando a introdução deve ser redigida?

Há uma escola de pensamento segundo a qual a introdução deve ser escrita por último, juntamente com a conclusão. A declaração de propósito, no entanto, deve ser o elemento central do trabalho e a primeira coisa a ser escrita. Ela também é útil para definir o contexto do artigo. Pode ser aconselhável escrever primeiro a introdução, porque ela constituirá a base do seu trabalho, por assim dizer, e depois, à medida que for desenvolvendo o artigo, revê-la conforme a necessidade.